O 3,14159265 Assessoria Pedagógica tem o objetivo de discutir o Ensino de Matemática na Educação Básica, especialmente as séries inicias do Ensino Fundamental com intuito de promover momentos de aprendizagem àqueles que cumprem o papel de formador - o professor. Logo, este blog visa ampliar a visão de um ensino contemporâneo e significativo tanto para o aluno como para o professor. Além de discutir e publicar notícias relacionadas com a Educação.
Para historiador da USP, sociedade
critica todos os aspectos do cotidiano escolar, mas se esforça para
mantê-los da mesma forma. Ele propõe discutir o “rompimento” das
estruturas
“O ambiente escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de
vômito. Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa
que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não
conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não
conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu sempre tive
muita paciência, mas me esgotei.” Sem infraestrutura: Em 72,5% das escolas da rede pública não há biblioteca Alan Sampaio / iG Brasília
Estrutura escolar adoece professores e leva a abandono da profissão
O relato é da professora Luciana Damasceno
Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia há 15
anos, Luciana é um exemplo entre milhares de professores que, todos os
dias e há anos, se afastam das salas de aula e desistem da profissão por
terem adoecido em suas rotinas.
Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o
adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de
professores e alunos nos colégios é “insuportável”. “Eles revelam, mesmo
que de forma oblíqua e trágica, o contraste entre as abstrações de
nossas utopias pedagógicas e a prática muitas vezes intolerável do
cotidiano escolar”, afirma.
O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos,
durante mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
(USP). Na dissertação O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores
, Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento de professores.
Camargo percebeu que a “epidemia” de doenças ocupacionais
dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. “Tentei
mapear o problema do adoecimento e da deserção dos professores não pela
via da vitimização, mas pela forma como esses problemas estão ligados à
forma naturalizada e invariável da forma escolar na modernidade”, diz.
Luciana começou a adoecer em 2007 e está há dois anos
afastada. Espera não ser colocada de volta em um colégio. “Tenho um
laudo dizendo que eu não conseguiria mais trabalhar em escola. Eu não
sei o que vão fazer comigo. Mas, como essa não é uma doença visível, sou
discriminada”, conta. A professora critica a falta de apoio para os
docentes nas escolas.
“Me sentia remando contra a maré. Eu gostava do que
fazia, era boa profissional, mas não conseguia mudar o que estava
errado. A escola ficou ultrapassada, não atrai os alunos. Eles só estão
lá por obrigação e os pais delegam todas as responsabilidades de educar
os filhos à escola. Tudo isso me angustiava muito”, diz. Viver sem escola: é possível?
Orientado pelo professor Julio Roberto Groppa Aquino, com
base nas análises de Michel Foucault sobre as instituições
disciplinares e os jogos de poder e resistência, Camargo questiona a
existência das escolas como instituição inabalável. A discussão proposta
por ele trata de um novo olhar sobre a educação, um conceito chamado
abolicionismo escolar.
“Criticamos quase tudo na escola (alunos, professores,
conteúdos, gestores, políticos) e, ao mesmo tempo, desejamos mais
escolas, mais professores, mais alunos, mais conteúdos e disciplinas.
Nenhuma reforma modificou a rotina do cotidiano escolar: todos os dias,
uma legião de crianças é confinada por algumas (ou muitas) horas em
salas de aula sob a supervisão de um professor para que possam ocupar o
tempo e aprender alguma coisa, pouco importa a variação moral dos
conteúdos e das estratégias didático-metodológicas de ensino”, pondera.
Ele ressalta que essa “não é mais uma agenda política
para trazer salvação definitiva” aos problemas escolares. É uma crítica
às inúmeras tentativas de reformular a escola, mantendo-a da mesma
forma. “A minha questão é outra: será possível não mais tentar resolver
os problemas da escola, mas compreender a existência da escola como um
grave problema político?”, provoca.
Na opinião do pesquisador, “as mazelas da escola são
rentáveis e parecem se proliferar na mesma medida em que proliferam
diagnósticos e prognósticos para uma possível cura”. Problemas partilhados
Suzimeri Almeida da Silva, 44 anos, se tornou professora
de Ciências e Biologia em 1990. Em 2011, no entanto, chegou ao seu
limite. Hoje, conseguiu ser realocada em um laboratório de ciências. “Se
eu for obrigada a voltar para uma sala de aula, não vou dar conta. Não
tenho mais estrutura psiquiátrica para isso”, conta a carioca.
Ela concorda que a estrutura escolar adoece os
profissionais. Além das doenças físicas – ela desenvolveu rinite
alérgica por causa do giz e inúmeros calos nas cordas vocais –, Suzimeri
diz que o ambiente provoca doenças psicológicas. Ela, que cuida de uma
depressão, também reclama da falta de apoio das famílias e dos gestores
aos professores.
“O professor é culpado de tudo, não é valorizado. Muitas
crianças chegam cheias de problemas emocionais, sociais. Você vê tudo
errado, quer ajudar, mas não consegue. Eu pensava: eu não sou psicóloga,
não sou assistente social. O que eu estou fazendo aqui?”, lamenta.
Na volta às aulas, iG traz depoimentos
de quem começa esse ano em uma determinada realidade na sala de aula.
Nesta quarta, ex-repórter conta como foi se tornar docente
iG São Paulo |
A repórter Isis Brum, 34 anos, abandonou a
vida de jornalista para se tornar professora. Após 10 anos escrevendo
sobre a educação em jornais, ela entrou em uma sala de aula como docente
pela primeira vez nesta quarta-feira, em Porto Ferreira, interior de
São Paulo. Dará aulas de redação a uma turma de 1º ano do ensino médio.
iG: Foi o que você esperava?
Isis:
Não fiz grandes planos, preparei uma aula de apresentações: do curso,
minha e deles. Eles estavam tímidos como eu já imaginava para os
primeiros dias. Estava bastante ansiosa. É um sonho cultivado há muito
tempo.
iG: Você cobria educação e sabe da realidade dos alunos, principalmente de ensino médio, tinha isso em mente? Isis:
A gente sempre vê os números do ensino médio como sendo bastante ruins,
eu tinha na cabeça esses números. Mas nem pensei nisso. Fui pra lá
esperando compartilhar o amor que tenho pela escrita. Seis alunos
disseram que gostavam de escrever, eu acredito que alguns devam escrever
bem e outros nem tanto. Eu gostaria de chegar no final do ano e levar
todos a escrever bem à sua maneira. Eu me preparei para isso e não vou
aceitar menos.
Leia abaixo depoimento escrito por ela após o primeiro dia de aula: De repórter de Educação à educadora
Dormi jornalista e acordei professora. Não houve
mágicas durante o sono – há alguns dias prejudicado pela ansiedade –
tampouco acordei incorporada pelo espírito do Paulo Freire e nem mesmo
com a veia de repórter cortada e exortada de mim. Hoje, pela primeira
vez, despertei para uma nova realidade, isto é, para uma nova forma de
lidar com a educação. Ao invés de cobrir o tema e escrever a respeito,
iniciei efetivamente a jornada para dentro do processo de ensino e
aprendizagem. Sou professora de Redação no 1º ano do Ensino Médio do
Colégio John Kennedy de Porto Ferreira, interior de São Paulo.
Arquivo pessoal
Isis deixou jornalismo para se tornar professora
Sempre trabalhei em jornal impresso e, não para menos,
vislumbrei um novo futuro na área escolar de produção de textos. Assim,
durante dez anos, não dormia sem antes repassar mentalmente, e à
exaustão, toda a apuração do dia e a matéria entregue; não dormia sem
antes checar os compromissos do dia seguinte, a possibilidade de levar
um furo, em como dar um furo e conseguir personagens para uma pauta
quase fechada.
Meu vocabulário era composto pelos nomes de ministro e
secretário de Educação e por suas diretrizes em políticas públicas para
o ensino, pelas novas tecnologias utilizadas pelas escolas particulares
da capital para aperfeiçoar as aulas ministradas, pelas dificuldades e
transtornos enfrentados pelos vestibulandos durante as provas do Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem), pelos novos cursos das universidades
públicas, validade e reconhecimento de diplomas de graduação e
pós-graduação e até pela formação do profissional da Educação Infantil e
brincadeiras educativas para estimular o gosto pelo aprendizado nos
pequenos. Agora, trago comigo nomes como Thaís, Mateus, Manoela,
Lorenzo, Miguel, Débora, Amanda, Maria Clara, Gabriel, Joana e João
Gabriel. Tenho mais seis alunos. Um faltou, outro não colocou o nome no
texto que pedi para ser entregue hoje e os demais deverão entregar a
redação na próxima aula, depois de amanhã. Eles têm cerca de 15 anos e
estão no 1º ano do Ensino Médio. Esta também é a primeira turma dessa
etapa no Colégio John Kennedy de Porto Ferreira. Minha atenção está voltada para eles, em como preparar
uma aula instigante e desafiadora, que tenha significado e se
transforme em aprendizado a cada novo encontro. Não é mais o meu texto
que importa e sim o deles. Educação ganhou a cor de 17 rostos com os
quais me comprometi antes de conhecê-los. Durante a aula, olhava para
eles como quem tem diante si a possibilidade de um futuro promissor
porque a juventude inspira a esperança. Portanto, também hoje, dei-me conta de que entre os
novos desafios não está mais o cumprimento de um prazo ou do dead line.
Dessa nova perspectiva, a Educação é um processo de construção contínuo e
jamais acabado: para eles e para mim. O professor, penso eu, é para
sempre um discípulo, pois a alegria e o prazer de aprender e de conhecer
não se esgotam (ou, pelo menos, não deveriam esgotar-se) entre aqueles
que se dedicam a ensinar. Faz pouco mais de um ano que sonho com este dia.
Comprei muitos livros para me preparar, faço parte do Grupo de Estudos e
Pesquisas em Educação Moral (Gepem) do Laboratório de Psicologia
Genética da Unicamp e fiz dois semestres do curso de especialização latu
sensu em “Neuropedagogia e Psicanálise no Contexto Educacional” na
Unicep, em São Carlos. O objetivo sempre foi o de estar preparada para o
“grande dia” e qualificada para dar atendimento de excelência aos
estudantes. Mas, como escreveu o Paulo Freire, nenhum professor
nasce com dia e hora marcados. “A gente se forma como educador
permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática”. E nisso há
muita semelhança com o Jornalismo. Fazemo-nos repórteres no cotidiano
das redações e no convívio com nossos colegas mais experimentados. Nesta nova empreitada, não é diferente, mas o acaso
torna a experiência ainda mais interessante. Minha parceira de trabalho,
Alessandra Malinverni, foi minha professora de Redação no segundo e
terceiro anos do Ensino Médio, respectivamente, em 1995 e 1996. E sempre
gostei do trabalho dela. Nunca tive grandes dificuldades com a escrita,
mas as aulas da Alê, sempre regadas à boa música – ela toca e canta
muito bem – foram imprescindíveis para adequar a escrita aos padrões dos
vestibulares e educar o pensamento com foco e objetivo nos temas
propostos. E é emocionante dar esse primeiro passo com o apoio de uma
educadora que eu pessoalmente admiro desde quando era sua aluna. fonte: IG
A partir desta segunda-feira, editoras podem inscrever obras em versão digital no Programa Nacional do Livro Didático
Agência Brasil |
O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) abre nesta
segunda-feira (21) o período para inscrições de obras destinadas a
alunos e professores do ensino médio da rede pública para o ano letivo
de 2015. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros
digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.
A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso,
ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como
vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na
aprendizagem. Continua permitida a apresentação de obras somente na
versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda
não dominam as novas tecnologias.
A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os
alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem
comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia,
história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e
sociologia.
Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo
Ministério da Educação que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas
de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que
aderiram ao PNLD do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.
De acordo com o Ministério da Educação, a previsão
inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de
exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.
O período de inscrição de obras pelo Programa Nacional do
Livro Didático vai até 21 de maio. De 3 a 7 de junho, estará aberto o
período de entrega de livros impressos e da documentação. De 5 a 9 de
agosto, o de entrega de obras digitais e respectivos documentos.
Piso aumentou 22,2% entre 2010 e 2011 e só 7,97% entre 2011 e 2012. Reajuste de 7,97% foi quase um terço do aumento obtido no ano passado.
Ana Carolina Moreno e Vanessa FajardoDo G1, em São Paulo
O reajuste de 7,97% no piso salarial nacional dos professores da educação básica anunciado pelo Ministério da Educação
nesta quinta-feira (10) já era esperado pelos especialistas e
entidades, sindicatos e confederação de professores e gestores da
educação no país. Segundo eles, a expectativa era a de que o governo
seguiria ao pé da letra a lei que define o piso e, portanto, o reajuste
seria bem menor do que o estimado no início do ano. Mesmo assim, muitos
criticaram o indicador vinculado ao cálculo do reajuste anual, que
atualmente leva em conta apenas a variação do valor anual por aluno do
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Com o aumento, o piso salarial para os professores passa de R$ 1.451
para R$ 1.567 a partir de janeiro de 2013. No ano passado, o reajuste do
piso salarial dos professores de educação básica e que cumprem 40 horas
semanais foi de 22,22%. Portanto, o reajuste deste ano representa quase
um terço do aumento ocorrido em 2012.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) divulgou
nota em seu site oficial afirmando que, pelos cálculos da entidade, "o
piso não deveria ficar abaixo de R$ 1.817,35, valor este que compreende a
diferença efetiva entre o per capita do Fundeb de 2008 a 2013".
A confederação, defendeu, no comunicado, que a União cubra "eventuais
rebaixamentos do valor mínimo do Fundeb ao longo dos anos – pois a
educação não deve sofrer retração de investimentos e cabe aos órgãos
públicos federais zelar pela estimativa do Fundeb e seu cumprimento
integral".
Já Cleuza Rodrigues Repulho, presidente da União dos Dirigentes
Municipais da Educação (Undime), classificou o aumento como "bom".
Ela afirmou ao G1 que "algumas pessoas estavam
esperando um desastre maior", mas que, apesar de o ganho real do aumento
ter ficado acima da inflação, o reajuste, "por outro lado, mostra que
faltou recursos para a educação", disse ela.
Para Cleuza, que também ocupa o cargo de secretária municipal de
Educação de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, apesar de o piso
ainda estar abaixo do desejado, muitas prefeituras terão dificuldades
de cumpri-lo. "Em mais de 80% das prefeituras, a principal fonte de
recursos da educação são os repasses do Fundeb."
Veja a evolução do piso salarial dos professores desde 2010
Ano
Piso
Variação
2010
R$ 1.024,67
2011
R$ 1.187,08
+15,8%
2012
R$ 1.451,00
+22,2%
2013
R$ 1.567,00
+7,97%
Política econômica e direitos sociais
Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à
Educação, explica que o reajuste menor neste ano, em comparação com o
ano anterior, se deve à queda na arrecadação de impostos pelo governo
federal. Isso aconteceu, segundo ele, porque o governo, na tentativa de
estimular o crescimento econômico, decidiu reduzir impostos como o
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
"O governo tem feito a desoneração, mas ela não tem gerado crescimento
econômico na medida do que é necessário, e ainda diminui o patamar de
investimento em direitos sociais", disse Cara.
Segundo ele, "quem perde com a menor arrecadação de impostos é a
população de baixa renda que precisa de serviços públicos como a
educação e a saúde", já que o Tesouro não reduz a defasagem de recursos
destinados às áreas sociais. "Está prejudicando quem é sempre
prejudicado. Esse é o ponto que a gente tem que frisar e se preocupar."
Para a CNTE, o governo não está agindo "com prodência" ao prever que,
no ano que vem, o reajuste será de 20,16%, segundo portaria divulgada no
fim de dezembro. "Em 2012, mesmo ciente dos efeitos da crise mundial, a
STN/Fazenda [Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda]
estimou o crescimento do Fundeb em 21,24%, porém no dia 31 de dezembro,
através de simples portaria, o órgão rebaixou a estimativa para 7,97%. E
tudo indica que em 2013 o mesmo acontecerá", disse a entidade, em nota. Valorização do professor
Cleuza, da Undime, afirma que, embora o reajuste tenha sido maior que a
inflação, o salário-base do professor de educação do ensino básico com
carga horária de 40 horas semanais ainda é muito baixo.
Quem perde com a menor arrecadação de impostos é a população de baixa
renda que precisa de serviços públicos como a educação e a saúde"
Daniel Cara
coordenador geral da Campanha Nacional
pelo Direito à Educação
De acordo com ela, se o piso girasse em torno de R$ 2.500 mensais, não
seria tão difícil contratar novos profissionais. Cleuza diz que o
salário tem peso significativo para os jovens fugirem da carreira
docente. "Mesmo nos grandes centros temos problema para conseguir
professores, imagina em regiões mais afastadas como na região Norte do
país. Temos de aliar o reajuste real, o ganho real ao plano de carreira
para atrair os jovens. O professor tem de ganhar bem não só no fim da
carreira, perto da aposentadoria, mas também no início. Temos melhorado,
porém não avançamos como deveríamos." Mudança do índice
A vinculação do reajuste automático anual do piso de professores à
variação do valor por aluno do Fundeb sofre críticas de todas as
entidades por sua instabilidade. De acordo com Eduardo Deschamps,
secretário de Educação de Santa Catarina e um dos vice-presidentes do
Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), além de depender
da arrecadação de impostos, que é variável, principalmente em tempos de
crise, o reajuste é calculado com base nos resultados até dezembro do
ano anterior, e o reajuste é aplicado a partir de 1º de janeiro. Porém,
em abril, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) divulga
o balanço consolidado do Fundeb do ano anterior.
Em 2011, o balanço final incluiu um ajuste de R$ 2,7 bilhões e elevou o valor por aluno de R$ 1.729,28 (valor usado no cálculo do piso) para R$ 1.846,56.
"Tem uma variação muito brusca de ano para ano, o reajuste foi de 22%
no ano passado e quase 8% nesse ano. É um índice não muito estável, gera
problemas na aplicação da lei", afirmou Deschamps.
O vice-presidente do Consed ainda criticou o fato de o índice usar duas
variáveis do Fundeb: o valor da arrecadação e o valor anual por aluno.
Como a cada ano o Censo Escolar se torna mais preciso e elimina
matrículas duplicadas, o valor por aluno tende a aumentar também pela
divisão do valor global pelo número de matrículas, que é cada ano menor.
Pelos cálculos do Consed, o valor global do Fundeb cresceu menos de 7%,
mas, com a divisão, o valor por aluno aumentou quase 8%, e foi essa a
porcentagem considerada no reajuste de 2013.
Porém, as entidades ainda não entraram em consenso sobre uma
alternativa ao regime atual de reajustes do piso. A proposta defendida
pela CNTE calcularia a variação a partir de dois índices: o Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) somado a 50% da variação global
do Fundeb nos dois anos anteriores, considerando o valor consolidade de
abril de cada ano vigente. Por esses cálculos, defendidos em um projeto
de lei atualmente em tramitação no Congresso, o reajuste de 2013 seria
de 9,05%.
Essa proposta, porém, não encontra respaldo no Consed --os secretários
de Educação afirmam que esse indicador levaria em conta duas vezes a
inflação (no INPC e na variação do Fundeb). Uma contraproposta
descontando a inflação da variação do Fundeb também não tem unanimidade,
pois alguns secretários dizem, segundo Deschamps, que "qualquer
reajuste automático só poderia levar em consideração indicadores de
inflação, não de ganho real".
O ministro Aloizio Mercadante afirmou, na quinta-feira, que o MEC
pretende aproveitar o ano de 2013 para tentar chegar a um consenso entre
todas as partes interessadas para que um novo índice seja definido e
aplicado já em 2014.
Eles não são profissionais, mas usam seu conhecimento para ajudar na educação de milhares de pessoas Laís Cattassini
SÃO PAULO – O engenheiro César Medeiros, de 38 anos, até queria ter
se tornado professor. “Mas professor sofre bullying na sala de aula”,
diz. Conhecido pelo apelido Nerckie, César encontrou uma solução para
realizar sua vontade de ensinar: passou a dar aulas pela internet, por
meio de vídeos que ele faz em sua casa, na zona sul de São Paulo, em um
estúdio montado no escritório.
—-
César Medeiros instalou um estúdio em sua casa para gravar
vídeos do seu canal no YouTube, o Vestbulândia. FOTO: Clayton de
Souza/Estadão
Os vídeos são publicados no canal Vestibulândia,
no YouTube, com mais de 130 mil usuários inscritos, e César dá aulas de
matemática com o conteúdo que costuma cair nos vestibulares.
As aulas têm entre 9 e 15 minutos e os vídeos são divididos em cursos
e programas de estudo, preparados com a ajuda de livros e pesquisa.
“Leio sobre o assunto que quero abordar, resumo, listo os pontos
importantes e crio a aula, apresentando a teoria e exercícios”, diz.
Ele não é o único que usa seu conhecimento para educar,
informalmente, milhares de pessoas por meio de vídeos. Canais
norte-americanos como o CGP Grey e Khan Academy – cujo fundador Salman Khan esteve no Brasil esta semana
– também se especializaram em criar conteúdo educativo para
complementar as aulas nas escolas e até desafiar o ensino convencional.
Karl Wendt, um dos colaboradores da Khan Academy, diz que a internet
tornou a educação mais acessível. “O acesso à informação é muito
diferente hoje. Isso mudou a questão do porquê educamos”, diz Karl, que,
em seus vídeos, ensina a construir eletrônicos. Além dele, há uma longa
lista de colaboradores que dão aulas desde aritmética à computação
gráfica.
Salman Khan, criador do canal no YouTube
que virou um sistema de ensino, começou fazendo aulas em vídeo para uma
sobrinha, mas percebeu o potencial de ampliar o alcance pela rede. “A
internet pode tornar a educação muito mais acessível, de forma que o
conhecimento e a oportunidade de aprender sejam compartilhados mais
amplamente”, escreve Khan no livro Um Mundo, Uma Escola – A Educação Reinventada (Ed. Intrínseca).
A visão dele é compartilhada por C.G.P Grey, dono do canal CGPGrey.
“É apenas uma questão de tempo até que a internet, ao lado de alguma
outra tecnologia, se torne uma professora melhor do que qualquer
humano.”
Mas a internet realmente pode substituir a escola formal? Para a
professora de tecnologia na educação da PUC-SP Maria Elizabeth de
Almeida, as video-aulas são um material de apoio interessante. “Uma aula
em vídeo não é equivalente a uma comum, pois tem todo um processo
interativo e comunicativo a que o aluno também está sujeito.”
A falta de interação é um problema relatado por César Medeiros. “Na
sala, há a possibilidade de interagir, fazer correções, tirar dúvidas.”
Mas mesmo isso está sendo solucionado. A ferramenta hangout do YouTube
permite que professores façam transmissões ao vivo com a participação de
espectadores. “Hoje é possível interagir e tirar dúvidas”, diz Bibiana
Leite, gerente de parcerias do YouTube para a América Latina. Para
garantir a qualidade, o YouTube tem buscado parcerias com os canais de
educação, incentivando os criadores mais talentosos.
Porém, há coisas que a internet não faz pelo aluno. Segundo Maria
Elizabeth Almeida, a figura de um tutor é essencial para o público mais
jovem e ajuda a formalizar o que foi apresentado em vídeos e a garantir a
interpretação correta das aulas. “Se o aluno for um adulto com
autonomia, a autoaprendizagem dos vídeos pode ser suficiente. Já com
crianças há mais o que fazer.”
De qualquer maneira, a tecnologia passou a moldar o futuro das
escolas. “A tecnologia não deve ser temida, mas abraçada, permitindo que
professores ensinem melhor e que a sala de aula se torne um espaço de
colaboração e não de passividade”, escreve Salman Khan.
Pela primeira vez, as provas de redação do Sistema de
Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) foram
corrigidas com uso de computadores. Os textos foram escaneados e
distribuídos às bancas por um software. A correção levou cinco dias e
terminou na última quinta-feira. Os resultados devem ser anunciados em
março.
Na tela do computador apareciam a cópia digital da redação e os
campos para as notas de cada critério. Os alunos do 5.º, 7.º e 9.º anos
do ensino fundamental são avaliados quanto à obediência ao tema e ao
gênero propostos, em relação a coesão e coerência textuais e ao domínio
da norma culta. Já os do 3.º ano do ensino médio devem ainda elaborar
proposta de intervenção para resolver o problema abordado.
Só 10% dos estudantes da rede estadual precisam fazer a redação. Com a
amostra, a Secretaria de Educação traça um diagnóstico do sistema e
classifica a proficiência dos alunos de acordo com os níveis: abaixo do
básico, básico, adequado e avançado.
Cerca de 183 mil textos foram analisados. Cada um foi lido pelo menos
duas vezes e, em caso de discrepância nas notas, seguiu para terceira e
até quarta avaliação. Assim, chegou a 407 mil o número de correções.
Apesar do sistema online, todas as 555 pessoas envolvidas no processo
examinaram os textos juntos, em um local não informado por questões de
segurança.
"Como era a primeira vez, resolvemos corrigir presencialmente, até
para garantir uma homogeneização das notas", afirma Marcela Fossey,
técnica em avaliação educacional da Fundação Vunesp, responsável pela
aplicação do Saresp e pelo desenvolvimento do software. Ele poderá ser
utilizado no vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp),
também organizado pela fundação.
Além de reduzir a quantidade de papel, o sistema permitiu aperfeiçoar
o controle da qualidade da correção, diz Marcela. "Os coordenadores
recebiam relatórios em tempo real sobre o desempenho dos examinadores.
Com isso, podiam orientar rapidamente o pessoal."
Segundo a técnica, o programa mostrava os corretores que atribuíam as
notas mais discrepantes. Outra maneira de afinar o processo era
entregar redações de referência, pré-corrigidas pela coordenação, para
saber se a banca estava em sintonia com as exigências da prova.
Olá, Caros Leitores....
Mais um ano se inicia, novas expectativas, novos conhecimentos, reestabelecimento do antigo com atual... Enfim, um ano inteiro para discutirmos e nos antenarmos no que nós acreditamos: Educação!
Feliz 2013!!!
Rs, mesmo atrasada- é que estava viajando.
Até breve,
Daniela Tenorio